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terça-feira, 24 de setembro de 2013

À deriva

Oniisama e
escrito enquanto escutava isso, você podia clicar antes de ler, né?



Boiava sobre as ondas causadas pelo vento àquela piscina um corpo esguio, alongado e pálido coberto por um maiô muito branco.
As monções eram compassadas pela maravilhosa simetria assimétrica da natureza e quem olhasse de longe veria a garota dançando.
Poderia ter abraçado a lua cheia ou acariciado seu coelho se tivesse aberto os olhos naquele momento e apreciado seu reflexo, tão perto, mas infelizmente não o fez.
O Balé das águas aumentava conforme o vento frio passava e levava o resto de vida humana daquele corpo; pouco a pouco não era mais possível ver forma alguma, metade era água e metade era menina indo para cima e para baixo e para um lado e para o outro. 
Oniisama e
As muitas gotículas de água viraram uma grande criatura adaptada àquele cubo, e logo o grande corpo de mulher virava partículas de menina espalhadas por aí.
Onda vai, onda vem até o vento parar de soprar, porque também não era mais vento seco,  e sim parte daquele quadro. Agora iam os três para lá e para cá no compasso da música inaudível brincando de se fundir e confundir. 
Quem tivesse olhado esse momento acharia que a menina estava voando lá longe no céu, do lado daquela bola branca que coloria seus trajes.
Então o movimento cessa, água vira água, menina vira menina, vento vira vento, ela abre os olhos e resolve sair da piscina porque ficou com frio.






sábado, 27 de julho de 2013

Sobre Evangelion 3.33 You can (not) redo

Finalmente eu assisti esse filme.
Evangelion 3.33 You can (not) Redo.

Direção: Hideaki Anno, Kazuya Tsurumaki, Masayuki e Mahiro Maeda

Ano: 2013

Estúdio: Gainax


Se você não o assistiu ainda por favor não leia esse texto!
Esse texto parte do princípio de que você conhece minha opinião sobre o Rebuild como obra.

domingo, 2 de junho de 2013

Evangelion e Sartre, um pequeno estudo

Como muitos sabem eu estudo teatro, e na matéria de filosofia pude escrever um texto com temática livre :) Fiquei bem animada e decidi falar sobre anime! O meu problema começou quando percebi que nunca havia escrito um texto sob a ótica filosófica. Falo sempre do contexto social e as vezes artístico, esse foi portanto meu primeiro texto me focando na filosofia da coisa. Quem sugeriu que eu falasse sobre Evangelion foi minha irmã mais velha que disse que seria um tema mais fácil para mim... bom foi mais fácil do que pegar uma série que eu não conhecesse muito ^^ Por favor sintam-se livres para comentar


A influência de Sartre em Neon Genesis Evangelion.


Esse artigo pretende construir um paralelo entre a filosofia existencialista de Jean P. Sartre e a série de animação Japonesa produzida em 1995, Neon Genesis Evangelion, em especial o desfecho da série.


Primeiramente é necessário localizar o leitor a respeito de 新世紀エヴァンゲリオン  Neon Genesis Evangelion. Produzida entre 1995 e 1996 a, talvez mais bem sucedida comercial e criticamente, série de animação Japonesa entrou para a história com seu enredo de ficção científica pós-apocalíptico que tinha como personagem central Ikari Shinji, um garoto púbere e solitário. 
Apesar de inicialmente o foco da série ser o universo pós-apocalíptico esse centro vai sendo deslocado e tornando-se uma análise da psicologia das personagens e da sociedade daquele futuro em contrapartida com a sociedade Japonesa dos anos 90.
A série é recheada de referências a teorias filosóficas e psicológicas, os nomes dos episódios bem como as faixas da trilha sonora se propõe a eleger tópicos a serem debatidos ao longo da série, entre eles estão O complexo de Édipo, O Transtorno de ansiedade da separação, O dilema do ouriço de Schopenhauer e diversas teorias Freudianas, o Projeto de Instrumentabilidade Humana, por exemplo, é incrívelmente similar a teses Freudianas sobre comunicação interpessoal.

Esse artigo, no entanto, propõe-se a analizar a influência da obra de Sartre no universo de Evangelion; É necessário destacar que, uma vez que a série não se proponha a ser um trabalho filosófico mas sim um trabalho artístico ela não segue apenas uma linha ou corrente filosófica, pelo contrário, constroi personagens tridimensionais o suficiente para serem analizadas por correntes diversas e usa de artifícios e referências opostos; Não necessário pontuar que, uma obra de arte desse gênero tende a ser mais completa dessa maneira já que não é dever da arte abordar problemas relacionados a existência humana de maneira completamente racional, mas sim da filosofia. Evangelion é bem sucedido em provocar reações subjetivas ao expectador poupando-o de diálogos racionais e usando com sabedoria os recursos da linguagem cinematográfica. A linha de direção genial do diretor Hideaki Anno, no entanto, é assunto para outro texto.
(Que eu comento mais na TAG: Assistindo Evangelion com a Clara)

Se a série usa referências a diversos pensadores é necessário delinear um único momento para analizar a interferência da obra de Sartre, pois, dentro do panorama geral se tornaria impossível a análise pura de outras correntes de pensamento, elego portanto os dois últimos episódios.

As personagens se encontram no campo metafísico e se propõe a uma auto análise grupal que, eventualmente, resultará na cura da depressão de Shinji; Perguntas são elegidas e cada personagem responde como se sente a determinado tópico afim de delinear padrões.
O problema maior do protagonista Shinji Ikari e sua carência afetiva, uma vez designado piloto do humanoide capaz de salvar a terra dentro deste universo Shinji  consegue fortificar sua auto-estima embasada nos elogios recebidos e na sensação de ser peça fundamental de algo; No entanto, sua existência se dá unicamente para isso, pilotar por pilotar e ser elogiado por ser elogiado; Sem sua profissão Shinji não é reconhecido pelos outros o que o torna inútil ao seu próprio olhar e incapacitado, em função da depressão, de realizar tarefa alguma, e quem não age não é; portanto não existe.

Em L'être et le néant Sartre contesta o subconsciente freudiano e o determinismo religioso, o qual responsabiliza o homem pelos próprios atos e estrutura a ideia da liberdade então, como um aprisionamento do seu ("Não somos livres de ser livres") Já que o homem é o único ser capaz de criar o nada.

Ainda no caso Shinji Ikari em Neon Genesis Evangelion, o autor, Deus daquele universo de maneira não-diegética, faz com que Shinji entenda a ideia de Sartre ao redesenhá-lo em um universo livre de qualquer limitação, o mundo da liberdade. Nesse universo, no entanto Shinji percebe que a liberdade per se não é libertadora, pelo contrário. Em um mundo de total liberdade não existe nenhum grau de aprisionamento, nem o da consciência, nem o material e não existem portantos limites entre um ser e outro, ou o espaço, sem limites também não há a existência ou a consciência.
O protagonista, se entedia. (O protagonista, no momento é o tudo.)

Segundo a filosofia de Sartre o homem, nasce, e se percebe; Afim de que o tudo, antes Shinji Ikari, se perceba é necessário que exista outra consciência, outro ser, outro universo; No entanto, a existência de outro ser fere a ideia de liberdade totalitária. Um homem sabe que é diferente de um peixe, pois conhece as características de um peixe e não as reconhece em si mesmo; mas a existência de um peixe o impede para sempre de ser um peixe e isso é perda da liberdade de ser um peixe. O homem passa a habitar em um universo finito.
A percepção do outro é ainda mais delicada quando o outro é um ser da mesma espécie, o que difere o homem de outro homem? Para isso o homem deve observar outro homem e compreender o que o faz um homem e o que o faz um outro, bem como foi feito com o peixe; A análise de um terceiro, no entanto gera uma cópia do objeto de observação dentro do consciente do observador; Portanto a identidade de 'outro-homem' não pode ser total, uma vez que ela depende não apenas das informações enviadas pelo homem-objeto, mas do modo como são codificadas pelo homem-observador; Nossa identidade então é variada de acordo com aquele que se propõe a percebê-la.

Em Liberdade perfeita podemos estar onde quisermos e ser o que quisermos, portanto somos tudo mas também não somos nada pois não existe nada ou limitações para o ser, estar, pensar.
Essa ligação de ideias é apresentada de maneira ilustrativa e simples dentro da série Neon Genesis Evangelion. Shinji, o tudo, dentro do universo de total liberdade, percebe um outro e perde um grau de sua liberdade, analiza o outro e apartir daí, se percebe.
Shinji então reconhece que o seu universo é mais que necessário para a existência dele como Shinji, mas isso o devolve a estaca inicial, a de um garoto que não gosta da própria realidade e busca saídas Escapistas.
A série entra então em um momento final, onde as personagens que fazem parte do universo de Shinji, ou diria, do Universo-Shinji conversam com ele.

Sartre acredita que o homem é total responsável por sua existência "Não somos aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós".
A fórmula "ser livre" não significa "obter o quese quer" e sim "determinar-se a escolher". Segundo Sartre o êxito não importa à liberdade.

E em sua reta final, visando a saúde psicológica do protagonista compreendemos esse conceito, uma vez que o mundo seja pautado na maneira como interagimos com ele e que no universo de Evangelion, bem como nas teorias de Sartre não exista uma verdade absoluta, a resposta que ajudará Shinji a encontrar seu caminho é uma nova leitura de sua própria realidade e a releitura do que ele tinha como verdade. Shinji não sabia como lidar com o outro e chegou a desejar que ele fosse o universo, que o universo fosse ele e que nenhum existisse. A partir de sua nova conceituação de liberdade com base na teoria de Sartre ele vê que o homem e livre pois tem consciência e é capaz de fazer escolhas; O personagem que via o mundo exterior como incômodo e que lia rejeição em toda atitude do outro percebe  agora a existência de diversos universos, Os universos dos outros e o seu próprio universo de acordo com a leitura do outro; Shinji então percebe que é capaz de fazer uma releitura de seu próprio universo com base em uma visão não pessimista. De maneira ilustrativa reassistimos a cenas onde Shinji levava broncas e ouvia palavras rudes de outras personagens ao longo da série; Na leitura de Shinji tais palavras significavam desprezo e ódio, na leitura da personagem, por vezes significavam carinho e preocupação, capaz de ver o outro como um universo próprio Shinji percebe que sua verdade não é a única verdade e se vê livre do universo tenso e deprimido que tinha como verdade.
Shinji se abre ao próximo e percebe que sua liberdade estava na capacidade de escolha, e que ao escolher ver ao próximo ele percebeu não ser odiado por todos, ou um peso para a sociedade, mas recuperou parte da sua auto-estima e decide ter um novo começo, bem como o titulo da série propõe.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Eu não gosto do rebuild de Evangelion porque...

É possível perder o estado de arte ou porque eu não gosto do Rebuild de Evangelion!



Uma das minhas irmãs não assistiu aos filmes novos de Evangelion e me perguntou porque eu não estava feliz com ele; Eu e a minha outra irmã começamos a listar motivos e decidi que eles deveriam ser postados aqui; O post não vai conter nenhum spoiler importante que qualquer um que não tenha assistido já não saiba (como a existência da Mari), então eu gostaria que todos lessem, principalmente os que já viram/ouviram falar/cheiraram Evangelion.

(Se você não sabia da chegada de uma nova personagem você acabou de tomar o único spoiler que eu vou dar então pode continuar lendo).

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Assistindo Evangelion com a Clara - ep 01

Hoje vim revelar o meu lado megalomaníaco que acha que vai dar conta de levar esse projeto até o final: Assistir e comentar Evangelion.

A gente, a gente gente normal, tem o costume de perder muita coisa quando assiste a um filme ou anime, ficamos muito focados na estória e acabamos perdendo as entrelinhas. Cinema e animação são artes visuais, o anime, tem uma ligação muito forte com o cinema e é preciso que a gente se dedique a assistir aquilo que está nas entrelinhas também para compreender um pouco mais do trabalho do diretor. Algumas obras em especiais são menos explicativas e se apoiam mais na herança cinematográfica, Evangelion é uma dessas.
 Se você já tiver assistido Evangelion ótimo,  do contrário vamos assistir juntos, ok!? Episódio por episódio, parando para comentar e digerir o que nos foi apresentado.
Toda vez que eu for comentar algum spoiler eu vou avisar, então não se preocupe; meu intuito é escrever o que eu vi naquilo que me foi apresentado, vou tentar ao máximo esquecer tudo que eu sei de Evangelion e ver como se fosse a primeira vez. (Só que é a sétima eu acho) e como alguém que está em 2012 e sabe como funciona a nossa atual indústria de anime. (cheia de personagens moe, tsunderes etc)
Vamos lá?