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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sobre: Avatar- A Lenda de Korra (Livro 1)


Anos atrás escrevi um texto sobre Avatar - O último dobrador de ar e comentei minha vontade de escrever sobre A lenda de Korra.
Bom, a série terminou em 2014 e acompanhei cada episódio avidamente, mas escrevo apenas agora em 2016 sobre minhas impressões da série, uma vez que estou revendo com meu namorado.
 Sem spoilers e apenas sobre a primeira temporada

 As primeiras cenas de A Lenda de Korra já mostram sua maior vantagem sobre O último dobrador de ar, o orçamento e a equipe técnica.
 Dirigido majoritariamente por Joaquim dos Santos, diretor que assumiu a maioria dos episódios da primeira série a partir da segunda temporada de maneira brilhante, Korra não começa com os pecados da primeira temporada de Aang e, além de exibir escolhas acertadas da direção desfila uma animação maravilhosa reforçada por uma forte trilha sonora. Isso mostra que, toda a progressão técnica que observamos na primeira série não foi em vão, Korra começa mais forte em direção, mais forte em trilha e em diálogos porque houve um aprendizado real.
 Como uma série do mesmo universo, é natural que existam comparações entre Korra e Aang, no entanto para aproveitamento real dessa é necessário deixar Aang ir, e a série usa grande parte do primeiro episódio para passar essa ideia ao espectador. Mas dar continuidade a uma história que foi aprovada e é querida por todos, nem sempre é tão fácil e a Lenda de Korra tem um desafio pesado para trabalhar enquanto busca encontrar o seu caminho, bem como a protagonista imatura, Korra, que tem a tarefa difícil de manter o legado do querido Aang dentro e fora da estória.
 É uma nova era, com novos personagens e isso precisa ser deixado claro o mais cedo possível, iniciando 70 anos após os eventos retratados em O último dobrador de ar, o universo que conhecíamos sofreu imensas mudanças; A começar pela transformação do ambiente bucólico em urbano, steampunk e industrial. Somos apresentados a Republic City, uma cidade modelo idealizada por Aang para ser sede de um governo centralizado. O primeiro episódio abusa de planos abertos afim de contrastar o ambiente urbano de cores frias com as incríveis paisagens estonteantes de Aang;
 E uma nova era traz uma nova geração de personagens, todos confrontados com o mesmo desafio da protagonista, o de conquistar o espectador que invariavelmente vai compará-los aqueles da série antiga. A série faz a escolha feliz de não tentar colocar os novos personagens na posição dos antigos, pelo contrário, cria perfis diferentes para a nova jornada; mais uma vez passando longe do maniqueísmo e nos mostrando personalidades profundas, com vontades, motivações, defeitos e qualidades. E se a protagonista será inevitavelmente comparada com seu antecessor foi decidido apresentá-la o mais distante possível dele; Mulher, adolescente, insubmissa; Criada com uma noção muito pequena de mundo, conhecendo apenas o que lhe era permitido e julgando-se especial Korra começa suas aventuras já uma lutadora habilidosa, mas uma pessoa ainda muito crua; Exatamente o oposto de Aang.

Prepotente, insubordinada, arrogante e com muita vontade de conhecer o mundo e seguir o papel que acredita ter nascido para viver; Korra sai de sua vila e é apresentada ao caos da cidade e as dificuldades das relações humanas de maneira muito brusca, ao que reage impulsivamente e apesar de aparentar força, ela passa grande parte da temporada sofrendo de ataques de pânico só de pensar no que terá que confrontar. Fica claro, que, assim como na primeira  série, a lenda de Korra não será uma jornada por poder, mas por amadurecimento, mais uma vez demonstrando o brilhantismo da franquia.

A estátua gigante, bela, quase mística e transcedental de Aang em comparação com a pequena, humana, Korra.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Otona Joshi no ANIME TIME

A hora do anime da mulher adulta.

É um especial de 4 histórias inspiradas em contos contemporâneos que venceram prêmios de literatura escrito por mulheres para mulheres, tendo sido a primeira exibida em 2011 e as três últimas em 2013.
Tratam de mulheres na faixa dos 30 - 40 anos que refletem sobre sua posição na sociedade onde estão inseridas, suas perspectivas sobre o futuro e reminiscencias do passado.
O projeto é da NHK e os especiais foram exibidos tarde da noite, trata-se de uma maravilhosa aula de animação para o público não acostumado a ver obras de qualidade, uma vez que cada conto foi adaptado por uma equipe diferente.
Abro um parenteses aqui para falar um pouco da série sob uma ótica social-feminista, uma vez que ela apresenta personagens que só seriam possíveis no momento histórico em que nos encontramos, já que a sociedade japonesa tem se modificado muito desde o período pós-guerra e agora, na atualidade, com a globalização e o incrível intercâmbio cultural. Valores como casamento romântico, satisfação profissional, sucesso individual e são relativamente novos para aquela sociedade, e ainda mais novos para o gênero feminino; Portanto embora seja muito fácil se identificar com qualquer uma das personagens (ainda que eu tenha acabado de sair da adolescência), essas mulheres são verdadeiras párias daquela sociedade; realmente outcasts.
Pensar sobre a sua felicidade pessoal e sua satisfação e ou insatisfação com a vida que tem vivido traz sentimentos difusos para qualquer ser humano, mas para uma mulher comum japonesa traz também a culpa. (Claro, claro, o fato dessas histórias terem sido escritas, premiadas e adaptadas para uma mídia popular como a animação demonstra que muita gente tem se identificado, mas quero frisar que ainda podemos tratar essas personagens como frutos de um fenômeno atual; bem como tratamos histórias com protagonistas NEET por exemplo. Você pode ler um pouco mais sobre esse assunto nesse texto sobre A Rosa de Versalhes.)

Quanto aos contos.

Conto número 1) Kawamo wo Suberu Kaze
O conto número 1 foi exibido em 2011.
Dirigido por Hiroshi Kawamata acompanhamos a história de uma mulher de 33 anos que volta ao interior do Japão para visitar sua família depois de ter se mudado para o exterior e lá vivido pelos últimos 5 anos.
O traço e a animação são delicados e cuidadosos;
Nota-se que o exterior, no caso os Estados Unidos tem um papel importante e cosmopolita, a grande cidade e o desconhecido, enquanto o Japão é mostrado como um local aconchegante e tradicional; Bem como os doces típicos da região, o Japão não é muito doce ou luxoso, mas é o local onde os sentimentos afloram de maneira mais forte.


Com dois anos de diferença foram exibidos os outros contos.

Conto número 2) Yuuge (Jantar)

O conto de Yamada Eimi trata da vida de uma jovem esposa que, acostumada a viver conforme lhe ensinaram, decide largar tudo e se envolver com o lixeiro do bairro. A garota nunca teve um talento de destaque e mesmo sua personalidade não é muito interessante; Encontra então nessa fuga, o momento de se conectar com algo real, e vê através das refeições que prepara para seu querido uma maneira de tornar-se útil e importante.
A animação aqui é maravilhosa e marcante, intercalada com momentos live action para retratar a comida, fazendo essa ligação forte entre real e irreal, os cenários são pintados a aquarela e as cores são fortes e vibrantes e a riqueza como live-action e animação se misturam é incrível!





Conto número 3)  JINSEI BEST 10 (Os 10 melhores da vida)

Os 10 melhores momentos da vida de Hatoko, personagem do conto de Kakuta Mitsuyo, foram todos antes de seus 18 anos e não muito diferentes daqueles que a maioria de nós viveu ou viverá.
No meio do caminho a protagonista, agora na faixa dos 40 perdeu alguma coisa que lhe dava energia e disponibilidade para a vida e tornou-se uma mulher pacata que embora tenha uma promissora carreira não se entrega a nenhuma aventura.
Sua chance de repensar sua vida acontece quando ela recebe o convite para a reunião do colégio e vê o nome de seu primeiro namorado na lista dos organizadores.
Determinada a reviver o que quer que seja que tenha perdido ela prepara-se ansiosamente para a reunião enquanto repensa em seu caminho até aqui; O final desse conto é o mais surpreendente.
A animação é divertida e colorida com texturas irreais, o traço também não é tão sóbrio quanto o das outras histórias.



Conto número 4) Dokokadewanai koko (qualquer lugar menos aqui.)

Inspirado no conto de Yamamoto Fumio, a protagonista é uma mulher de 40 anos com marido apático e dois filhos já crescidos e que não a conhecem mais, que se dedica a tempo integral a família como uma boa dona de casa.Após seu marido perder o emprego ela é obrigada a encontrar uma ocupação de meio período e o faz numa loja de conveniência próxima.

A mulher não é reconhecida por seus trabalhos por nenhum membro da família, pelo contrário é constantemente lembrada pro todos de sua própria mediocridade o que a leva a desenvolver um quadro depressivo enquanto percebe-se sem vontade de fazer qualquer coisa.
Seu dia-a-dia é recheado de ocupações como dona de casa, mãe e trabalhadora, e assim ela acompanha sua energia ser sugada e tem seu único momento de verdadeira felicidade quando dorme e esquece de tudo, o que acaba acontecendo com mais frequência do que deveria.
A animação em si não é inovadora nesse conto, no entanto, o diretor é muito feliz no modo como retrata a depressão da mulher tomando parte dela e os apagões e lapsos que ela tem durante suas amadas sonecas diárias e a mediocridade de sua rotina. 


Os 4 episódios somam 2h no total, aproximadamente a duração de um filme, parece-me então que ao saber da existência dessa série assisti-la se torne uma obrigação para qualquer fã de animação japonesa.
As nuances das personagens são tratadas de maneiras muito diferentes pelos diretores, enquanto alguns escolhem fazer uso do texto, outros da própria animação e dos recursos visuais, deixando que ao final dos quatro contos o espectador tenha uma noção maior do leque de possibilidades disponíveis ao transpor literatura para áudio-visual. É uma verdadeira aula de roteiro e direção, bem como das maravilhas que a animação pode criar, já que várias das barreiras dos filmes em live-action não existem nas animações.
Recomendo para todos, especialmente fãs de histórias para mulheres, mas sinto necessidade de citar a obra Aoi Bungaku, que tem um formato parecido, e salta mais aos meus olhos.
(Lembrando que eu li os livros que inspiraram a série Aoi Bungaku (literatura azul), e comentei sobre um deles aqui ).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre Bokurano (anime)

Acabei de terminar Bokurano, anime de 2007 que conta a história grandiosa de 15 crianças envolvidas em um destino sádico onde todas deverão pilotar um robô e derrotar inimigos que advêm de realidades paralelas, o preço para uma derrota é a destruição da nossa própria realidade e do mundo que conhecemos, no entanto cada piloto perde a vida após as batalhas já que a energia do meccha é gerada a partir da energia vital do condutor. Ou seja, não há vitória feliz.
A animação é bonita mas não apresenta nada espetacular, as melhores sequências estão na abertura o que é uma decepção já que o estúdio Gonzo é responsável por obras mais interessantes.
A trilha sonora é limitada e não apresenta nenhuma faixa marcante.
Apesar da temática sombria e da série ela falha ao não se aprofundar tanto quanto poderia nas personagens; O terror e as ansiedades das crianças que tem seus dias de vida contados e uma responsabilidade gigantesca nas mãos é apresentado de maneira fútil e superficial.
A animação também peca por não se decidir se tratará de drama psicológico colocando a atenção principal nas crianças, ou de um drama político; Não que séries desse tipo não devam abordar os dois lados, pelo contrário, mas Bokurano acabou tomando uma aproximação fraca sob  as duas perspectivas e se tornando muito inferior a animações com temáticas parecidas.

Existem momentos poéticos e bonitos na série que fazem com que um personagem e outro tomem destaque e se tornem quase interessantes, bem como em alguns momentos o movimento político começa a inflamar, mas infelizmente esses momentos não são sustentados e se perdem em seguida voltando a superficialidade inicial.
Indico para aqueles fãs de animes e histórias épicas pelo simples fato de serem épicas. (E sim tem muita gente que gosta de histórias assim e fica mais envolvido do que eu. Tive um grande debate esses dias sobre o que atrai as pessoas em Teggen Toppa Gurren Lagann e a maioria das pessoas me respondeu: É ÉPICO!)


PS: Escutei um comentário ou outro dos fãs do mangá de Bokurano sobre a superioridade da obra original, infelizmente o anime não me despertou vontade de lê-lo; mas leitora assídua de mangá que sou, quem sabe um dia? Quem sabe eles tem razão e houve um erro feio de adaptação? Quem sabe no mangá as personagens sejam bem mais exploradas? Assim espero...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sobre Rurouni Kenshin (filme)


Ontem, e somente ontem, eu criei coragem para assistir o filme de Rurouni Kenshin (2012) e o fiz acompanhada das minhas irmãs e de minha mãe.

sábado, 27 de julho de 2013

Sobre Evangelion 3.33 You can (not) redo

Finalmente eu assisti esse filme.
Evangelion 3.33 You can (not) Redo.

Direção: Hideaki Anno, Kazuya Tsurumaki, Masayuki e Mahiro Maeda

Ano: 2013

Estúdio: Gainax


Se você não o assistiu ainda por favor não leia esse texto!
Esse texto parte do princípio de que você conhece minha opinião sobre o Rebuild como obra.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Avatar - primeiras impressões


Minha irmã mais nova é simplesmente apaixonada por Avatar: A lenda de Aang. Animação americana produzida de 2005 a 2008; e me fez assistir alguns episódios.
Achei terrível me perceber cheia de preconceitos com a série pelo simples fato dela ser americana e resolvi que deveria dar uma chance a série de coração aberto; Por ter assistido apenas 4 episódios não posso falar muito da trama, que até agora me parece uma aventura infantil, mas posso falar sobre minhas primeiras impressões estéticas.
Avatar é uma daquelas série americanas que usa parte da estética 'japonesa' mas não o faz de maneira fluída e natural o que faz com que as reações das personagens não convença muito em um primeiro momento.
Talvez porque a maioria das séries animadas no Japão sejam adaptações de mangás os animes costumam contar com closes e movimentos de câmera que enfatizam o estado interno da personagem e colocam o espectador numa posição de não apenas mero observador, enquanto os desenhos americanos costumam te colocar como uma terceira pessoa observando a história, isso acontece também em Avatar o que infelizmente me faz levar a trama menos a sério...
Contudo, conversando com minhas duas irmãs sobre essas diferenças estéticas elas me deram boas notícias. Parece que durante a produção da primeira temporada alguns episódios são dirigidos por um homem chamado Joaquim Santos, e que ele agrega muito a história fazendo com que  Avatar se torne uma aventura interessante, profunda e cativante e que logo depois ele assume a direção da maioria dos episódios gerando temporadas extremamente boas. Como eu considero minhas irmãs meninas de ótimo gosto e vejo as duas apaixonadas pela série acredito que  valerá a pena dedicar um pouco mais do meu tempo para essa aventura e acompanhar essa evolução. (Além do que já vi outras pessoas com gosto muito bom me indicando a série)
Como dito no começo do texto, não vou comentar nada sobre a trama por ter assistido muito pouco da série ainda mas já adianto que os personagens são cativantes.
- E lá vou eu enfrentar meus preconceitos!! Acredito que qualquer um que se diz fã de animação deva fazer o mesmo e lutar para encontrar animações de qualidade que venham de lugares inesperados e que contem estórias inéditas e bem feitas. -


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Se eu descobrir que realmente é só um 'desenhinho americano da Nickelodeon e não apropriado para a minha idade' aviso hehe *preconceito mode on*


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Eu não gosto do rebuild de Evangelion porque...

É possível perder o estado de arte ou porque eu não gosto do Rebuild de Evangelion!



Uma das minhas irmãs não assistiu aos filmes novos de Evangelion e me perguntou porque eu não estava feliz com ele; Eu e a minha outra irmã começamos a listar motivos e decidi que eles deveriam ser postados aqui; O post não vai conter nenhum spoiler importante que qualquer um que não tenha assistido já não saiba (como a existência da Mari), então eu gostaria que todos lessem, principalmente os que já viram/ouviram falar/cheiraram Evangelion.

(Se você não sabia da chegada de uma nova personagem você acabou de tomar o único spoiler que eu vou dar então pode continuar lendo).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sobre Karekano (anime)

Karekano, Kareshi Kanojo no Jijō 彼氏彼女の事情 His and her circumstances de 1998, baseado no mangá de Masami Tsuda.

Quando eu penso em Karekano, a palavra genialidade me vem a cabeça.

Genialidade de um diretor que conseguiu fazer um projeto cheio de problemas continuar uma das séries mais bonitas que já vi.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Assistindo Evangelion com a Clara - ep 01

Hoje vim revelar o meu lado megalomaníaco que acha que vai dar conta de levar esse projeto até o final: Assistir e comentar Evangelion.

A gente, a gente gente normal, tem o costume de perder muita coisa quando assiste a um filme ou anime, ficamos muito focados na estória e acabamos perdendo as entrelinhas. Cinema e animação são artes visuais, o anime, tem uma ligação muito forte com o cinema e é preciso que a gente se dedique a assistir aquilo que está nas entrelinhas também para compreender um pouco mais do trabalho do diretor. Algumas obras em especiais são menos explicativas e se apoiam mais na herança cinematográfica, Evangelion é uma dessas.
 Se você já tiver assistido Evangelion ótimo,  do contrário vamos assistir juntos, ok!? Episódio por episódio, parando para comentar e digerir o que nos foi apresentado.
Toda vez que eu for comentar algum spoiler eu vou avisar, então não se preocupe; meu intuito é escrever o que eu vi naquilo que me foi apresentado, vou tentar ao máximo esquecer tudo que eu sei de Evangelion e ver como se fosse a primeira vez. (Só que é a sétima eu acho) e como alguém que está em 2012 e sabe como funciona a nossa atual indústria de anime. (cheia de personagens moe, tsunderes etc)
Vamos lá?



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Cobertura do meeting de 40 anos da Rosa de Versailhes

Só vim compartilhar os links!
O Japop escreveu sobre o evento e disponibilizou fotos e vídeos!
Aqui é possível ler a matéria publicada no Nikkey Shimbum!
面白い!!

Não deixem de checar! :)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre A Rosa de Versalhes e o fenômeno Pop

(Como disse anteriormente, vinha planejando escrever sobre A Rosa de Versalhes faz algum tempo, uma vez que esse ano a estória de Oscar François Jarjayes completa 40 anos. Mas uma vez que eu tenha comparecido ao evento de ontem me parece impossível escrever apenas uma resenha do que assisti, então farei desse texto um pequeno resumo do que foi debatido ontem, para quem perdeu.... faço uso de muito conhecimento adquirido por meio da Cristiane Sato, e de observações feitas no estudo da Valéria Fernandes que trabalhou a estória de Oscar com enfoque na sua conotação feminista).


Influências e o Japão pré Oscar.
Scaramouche 1952

Em 1932  Stefan Zweig publica sua obra Maria Antonieta - O retrato de uma mulher comum, e se torna o primeiro historiador a retratar Maria Antonieta de um modo mais humano, uma jovem despreparada para ser rainha, mas não uma bruxa.
A estória da Rosa de Versalhes foi escrita em 1972 por uma jovem de 24 anos chamada Riyoko Ikeda, que  vivia em um Japão em ascensão econômica; as indústrias se desenvolviam e grande parte da população era composta por operários, o mangá já havia conseguido seu espaço, especialmente entre as crianças da época, e tinham suas histórias divididas por gênero. Um era escrito para meninos, outro para meninas.
Na maioria dos mangás para meninos a trama flertava com a aventura e era contada em terceira pessoa (isso continua presente ainda que não seja norma), enquanto as estórias femininas eram focadas em romances melosos e garotas jovens, tais quais as leitoras em questão, o mangá servia de escape de uma realidade dura.
Muitas vezes, personagens com estilo europeu eram presentes nas estórias, uma vez que o cinema hollywoodiano já era forte mundialmente, e os grandes musicais vendiam uma imagem idealizada do ocidente.
O Rei e eu 1956
Apaixonada pela biografia de Maria Antonieta, escrita por Stefan Zweig, Riyoko Ikeda decidiu criar um mangá que contasse a vida da Rainha da França tal qual ela havia descoberto na obra de Zweig.
Buscando referências em livros de história na hora de construir o visual e reproduzir o palácio de Versalhes, Riyoko também se dedicou a absorver a estética do cinema ocidental para compor suas personagens. Espectadoras de filmes como O rei e Eu e Scaramouche as autoras japonesas passaram a incorporar a estética exagerada de tais filmes.
O real, general Jarjayes;
Riyoko sofreu, no entanto, resistência de seu editor, que não acreditava que uma estória tão distante da vivida pelas leitoras iria vender, ainda mais com um final tão dramático, surge então Oscar, a filha caçula do general François-Augustin Reynier de Jarjayes, que realmente existiu e dedicou sua vida a guarda real Francesa.

Sobre a estória de A Rosa de Versalhes

Nascida a quinta filha do general Jarjayes, Oscar é criada como um homem por seu pai que se vê aflito por não deixar um sucessor na guarda real. Como era de costume na época que cada jovem tivesse uma dama de companhia, Oscar é acompanhada com um pajem, Andre Grandier que se torna seu fiel e amigo.
Aos 14 anos, já uma talentosa espadachim, Oscar recebe a missão de cuidar da proteção da Delfina Maria Antonieta, que viria da Áustria se casar com o delfim da França.
E assim surge uma forte amizade entre as duas. Oscar, inicialmente reluta em assumir a função de militar, mas uma vez apresentada a princesa, ela devota a ela sua total atenção, como um samurai a seu mestre; a Rainha por sua vez, se encanta com a postura e elegância de Oscar a torna sua amiga.
Os primeira parte da estória é dedicados a recém chegada Maria Antonieta, sua vida em Versalhes, sua aproximação e de Luis XVI, sua briga por poder político dentro do palácio, uma vez que Madame du Barry era a queridinha do rei, seu primeiro encontro com o conde Hans Axel Von Fersen em um baile de máscaras e entre outros acontecimentos  da biografia da rainha.


Uma vez que a personagem de Oscar passou a tornar-se mais popular, ela acabou ofuscando a rainha e se tornando a verdadeira, rosa de Versalhes.
Oscar nasceu nobre e frequentou a corte Francesa desde muito cedo, assim como seu pai, sua fidelidade a família real é indiscutível, mas uma vez que seu melhor amigo é Andre, um plebeu, Oscar acaba se encontrando com personagens pró revolução, tais como Robespierre, Saint-Just e Voltaire.
O crescimento das personagens é notável diante de dos olhos do leitor e ao fim da trama, temos uma rainha muito diferente da princesa mimada a quem fomos a presentados, e uma Oscar que decide seguir os ideias revolucionários. Oscar se torna uma espécie de ronin, um samurai sem mestre.
A amizade das garotas, no entanto, não é abalada apesar da necessidade da separação.
Como forma de não dar nenhum spoiler sobre a série, não continuarei a citar episódios e o desenrolar da narrativa; mas para aqueles apaixonados por Revolução Francesa, vale dizer que Jeanne de Valois-Saint-Rémy, e o Cardeal Rohan são personagens importantes, assim como a Madame Polignac. 
Uma vez que o biografo que serviu de fonte maior para a criação da obra, toma o romance de Maria Antonieta e o Conde Fersen como fato, este se torna também, um dos personagens de maior destaque e carisma na série.


A inovação entre os mangás femininos.



A Rosa de Versalhes foi pioneira em muitos campos, a começar por ter a primeira cena de sexo em um mangá, e por tratar de um assunto como o adultério sem julgar as personagens envolvidas.
Outra inovação é a própria Oscar. Embora a personagem da princesa-príncipe tenha aparecido pela primeira vez em A Princesa e o Cavaleiro de Osamu Tezuka, é em A Rosa de Versalhes que o gênero é tratado com maior profundidade. Oscar é criada e vista como homem e com isso consegue crescer liberta das privações e dificuldades que eram vistas como próprias do gênero feminino, além das amarras da sociedade a tal gênero.
Uma vez que é vista como homem e tratada como tal, é esperado que Oscar desperte a sexualidade do gênero masculino e não se interesse pelo sexo oposto, mas isso não acontece, através disso Riyoko Ikeda desassocia as duas coisas.

A vida pós BeruBara e porque é um fênomeno pop.

Vamos por partes.

A editora Shueisha recebia enxurrada de cartas de fãs de a Rosa de Versalhes durante a sua publicação, e por enxurradas eu quero dizer 10.000 cartas por dia!
Com o fim da série milhares de pessoas se viram órfãs de Lady Oscar e continuaram a enviar cartas a editora, que foi obrigada a pedir que Riyoko Ikeda escrevesse uma nova estória ou um spin-off, algo para acalmar a multidão. E assim surgiu um mangá inspirado na estória de Isabel Bathory. Mas não para por aí.
O teatro Takarazuka se encontrava em decadência na época, e decidiram adaptar BeruBara (apelido da série), para o teatro musical. O que ocorreu foi um sucesso imediato, mais de um milhão de pessoas foram ao teatro assistir a adaptação e a atriz responsável por interpretar Oscar na temporada teve seu figurino destruído por fãs que desejavam levar um pedacinho da Lady para casa.
A série também ganhou uma adaptação para cinema, dirigido por Jacques Demy, ganhador da palma de outro e foi o primeiro longa metragem a ter permissão para ser rodado dentro do palácio.
Antes de BeruBara se tornar viral na Europa, o palácio de Versailhes não figurava nem entre os três mais visitados museus da França, mas a febre foi tão grande na Europa que hoje ele é o segundo museu mais visitado no país!
O mérito de A Rosa de Versalhes é tão grande dentro da França que a autora, Riyoko Ikeda, foi a primeira pessoa da classe artística a ser convidada para um tour privado no palácio, ou seja fecharam o palácio só para ela, tal qual é feito aos chefes de estado.
Os próprios Franceses passaram a se interessar mais pela rainha e a vê-la de forma mais humana, a história se tornou de agrado do grande público.
No Japão BeruBara foi responsável por moldar a estética da nova geração, se uma vez a Europa mau representada era palco para fantasia e escapismo das leitoras, hoje ela continua consolidada e essa distância da realidade foi adotada como própria da fantasia.
A beleza Andrógina de Oscar e sua postura também fazem parte do imaginário coletivo do Japão, tal qual a beleza de Fersen.
Oscar e Maria Antonieta se tornaram personagens amados pelo público Frances que adotou a obra como deles.
Visual Kei e moda Loltia surgiram com a estética de Ikeda.
E por fim, se hoje em dia Johnny's se vestem de príncipes, eles não remetem aos príncipes da Disney mas sim a  nossa querida Lady.

Curiosidades

Ontem descobri a existência de um Dorama chamado Haken no Oscar, onde a protagonista usa referências do mangá A Rosa de Versalhes em sua vida cotidiana, parece bem divertido, também descobri que se tomarmos o trem suburbano para chegar em Versalhes ( o que é bem comum) é possível ver pichações que representam a Oscar e Maria Antonieta, e que hoje em dia BeruBara é estudado no japão tal como literatura e não mais como mangá.

Pessoal: Um dia para mim

Ontem tirei um dia para mim, um dia para a eu que corre atrás do que gosta e sabe se relacionar com as pessoas.
Poxa, essa eu estava sumida faz um tempo e devo dizer que foi bom estar de volta. V(○⌒∇⌒○) イエーイ
- editarei o post no futuro com as fotos que tirei pelo caminho, mas estou no escritório e aqui o pc não lê SD card - 


Acordei bem cedo, o que para alguém que tem compromisso de segunda a sábado, é raro de se ver num domingo, e fui com a Marilia na Expo Music.
 O evento é muito bom para lojistas e pessoas interessadas em comprar instrumentos musicais por atacado, o que não era nosso caso, mas fomos mesmo assim e nos divertimos brincando com os instrumentos e sonhando em comprar um ou outro que nosso orçamento não permite.... (ah minha Gibson Les Paul, um dia estaremos juntas) .p(´⌒`。q)
Na verdade a parte mais divertida da Expo Music foi a oportunidade de brincar de tocar num piano de calda, me senti profundamente triste por não ter um repertório para Piano mais extenso do que Somewhere Over the Rainbow!

Depois do almoço nos despedimos e eu fui para a Vila Mariana afim de prestigiar o Sarau em homenagem aos 40 anos da série A Rosa de Versalhes.

 Eu vinha querendo escrever uma resenha/crítica sobre A Rosa de Versalhes faz um tempo, e depois do que ouvi ontem estou ainda mais encantada. (Aliás ontem deixei meu cabelo solto e cacheado com a franja desarrumada, quem me conhece sabe que garotas-príncipe fazem parte do meu imaginário e inspiração, ontem  brinquei de ser Oscar por um dia).
A palestra me mostrou um outro olhar sobre a importância da Rosa de versalhes como obra de ficção, além de debater pontos da narrativa e da abrangência de temas tratados ao longo da trama.
Tive a oportunidade de bater um papo com a Cristiane Sato, autora do livro Japop - O Poder da Cultura Pop Japonesa, e com a Professora Célia Yano, ambas foram muito simpáticas comigo! Discutimos sobre a importância de eventos como esse onde há um debate efetivo em cima do que se é assistido/lido, e onde há um respeito pela arte do mangá, não apenas como forma de entretenimento. Pedi sugestões de títulos e comentei sobre como o shoujo mangá foi importante na minha criação.
Depois da palestra da Cristiane as garotas da Associação Brasileira de J-fashion organizaram um desfile sobre moda urbana Japonesa, em especial a Lolita, e sobre como a estética de Riyoko Ikeda influenciou diretamente na moda urbana do Japão. Me aproximei das menianas para perguntar do que exatamente se tratava essa associação e elas foram incrivelmente gracinhas comigo, fiquei muito feliz .(・∀・)ノ☆ Além de divulgar a moda urbana japonesa, elas tem como objetivo desmistificar algumas lendas que surgiram no ocidente a respeito da moda Lolita e cia. Achei interessantíssimo.
Dei uma entrevista para o Nikkey Shimbun, até ai tudo bem, para quem fica se enfiando em tudo que é evento da comunidade Nikkei, isso acontece, mas pela primeira vez respondi tudo em Nihongo! Yeeey

Já feliz da vida tendo feito dois passeios maravilhosos, fui jantar no Outback para comemorar o aniversário da Ju :) conheci muitas pessoas divertidas e revi amigos queridos, devo dizer que são amigos recentes, mas já queridos pelo bem e pelo mau, 2012 já valeu só por ter me dado novas amizades. E ai foi o de sempre, música, artes, mangá, anime, video game, a importância da arte durante o desenvolvimento da criança, Johnny's, AKB48 vs Morning Musume e derivados. Só assuntos de extrema relevância.
Mais gordinha e cansada, voltei para o buraco em que me escondo durante a noite aguardando ter um bom começo de semana.

ピース v(≧∇≦v)三(v≧∇≦)v ピース

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre Hourou Musuko (anime)

Sobre Hourou Musuko - 2011 (放浪息子)
Eu havia feito um outro post sobre as minhas primeiras impressões da série, mas agora que terminei de assistir posso falar com um pouco mais de propriedade sobre o que esperar desse anime.
Como tinha dito, o anime baseado no mangá de Takako Shimura trata sobre puberdade e as mudanças psicológicas que ela acarreta.
O protagonista Nitori gostaria de ter nascido uma menina e gosta de se travestir para se sentir uma. Nitori não se identifica com seu gênero e sofre durante a puberdade, por ser incapaz de impedir seu próprio corpo de transformá-lo em um homem. Sua voz está mudando, seus hormônios à flor da pele, suas mãos estão ficando grandes etc...
O anime não trata abertamente sobre homossexualidade, como muitos podem pensar de prima, e embora exista um personagem gay, o melhor amigo de Nitori, Makoto, a sua vida passa muito longe de ser o centro da história.
(Indo mais além, eles revelam sua homossexualidade de maneira tão sublime que acredito que nem todos os espectadores tenham percebido, - já que realmente não é relevante pra vida do protagonista - mas está lá).
Óbvio, como não poderia deixar de ser, o anime faz com que as personagens sofram nas mãos da 'sociedade' por conta do hobby incomum que carregam, afinal o que poderia ser mais natural do que crescer e se tornar adulto?
O que mais me chama a atenção em Hourou musuko é que um tema como esse, não costuma ser tratado de maneira tão delicada; O traço da autora, a coloração, a animação, a trilha sonora... tudo é muito suave e contrastante com o estado emocional das personagens.
E como tudo nesse anime é sutil e sublime, o envelhecimento, a passagem de tempo e o amadurecimento das personagens não poderia fugir a regra, no último episódio encontramos um Nitori e uma Takatsuki quase adultos, mais seguros e fortes.
O anime faz você ter orgulho e de como como eles cresceram e estão se encaminhando para a vida adulta, como eu disse no post anterior "A série usa de forma lúdica e doce para falar sobre a difícil fase de descobrir a si mesmo e a pessoa que você pretende se tornar."
Hourou Musuko, definitivamente, não é para qualquer público, primeiro por tratar de um tema delicado e 'cutucar' certos conceitos da sociedade, depois porque toda a leveza com que os assuntos são encarados e personagens muito próximas da realidade, sem frases de efeito, sem 'moe', ou características do gênero, enfrentam dificuldade em prender a atenção de qualquer um.
Mas pra aqueles com sensibilidade aguçada e fans de boa animação, está indicadíssimo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aoi Bungaku - Kokoro: Entre o anime e o livro.

Depois de assistir Aoi Bungaku desenvolvi a vontade de ler os livros que inspiraram a série, e comecei por Kokoro de Natsume Souseki.

Kokoro, o romance.
Kokoro é um dos livros mais famosos do período modernista no Japão pelo renomado escritor Natsume Souseki, conhecido também por Eu sou o gato e vários outros títulos.
O livro é dividido em três partes e trata basicamente de capturar de forma sublime a condição da solidão humana. As personagens não são nomeadas na obra, os protagonistas são Eu e o professor; de prima a falta de identidade o causa um afastamento do leitor para as personagens, mas ao longo do romance esse é um dos fatores que ajuda na aproximação de um com o outro, as personagens poderiam ser qualquer pessoa a nossa volta.
A primeira parte, Eu e o Professor, mostra o encontro dos protagonistas e o desenvolvimento de sua amizade. Eu é um estudante próximo da sua graduação, o Professor um homem mais velho com formação acadêmica que tem hábitos reclusos e vive com a mulher e a empregada. Ao longo da primeira parte a amizade dos dois se intensifica e Eu desenvolve o desejo de conhecer mais sobre o passado do professor.
A segunda parte do livro, Eu e meus pais, narra a viagem de Eu ao interior para cuidar de seu pai que está muito doente. Afastado do professor, Eu é obrigado a encarar sua família, pensar no futuro e passa por uma fase de solidão, incerteza e falta de ânimo. No fim desse capítulo Eu recebe uma carta do professor que é lida na terceira parte.
"O professor e seu testamento" reproduz a carta enviada para Eu, onde o professor, em tom de despedida, conta sobre seu passado como havia prometido que faria ao amigo na primeira parte do livro.
Essa parte foi adaptada no episódio 7 de Aoi Bungaku, como disse no post anterior o episódio 8, a história pelo ponto de vista de K, nunca existiu no livro.
Kokoro, o anime.
Os episódios de Kokoro na série Aoi Bungaku chamaram de cara a minha atenção. O character Design foi responsabilidade de Takeshi Obata, que fez o mesmo trabalho nos best-sellers Death Note e Hikaru no Go.
O que é notado em Kokoro, assim como em todo Aoi Bungaku é que é um anime feito para o público japonês, que conhece muito bem estes livros e percebe de cara que a idéia não era apenas reproduzir os clássicos da literatura; Aoi Bungaku tem como objetivo trazer uma nova abordagem para aquelas histórias, seja ela absurdamente perceptível, como ocorre em Kokoro onde criaram um episódio de um ponto de vista inexistente, ou mais suave, visual, sensorial.
O anime consegue fazer com que o espectador compreenda a solidão e o estado mental das personagens usando de recursos de som e imagem, por exemplo, cada episódio se passa em uma estação, possui uma paleta de cor, e a presença ou não de trilha sonora.
A personagem senhorita, é absolutamente reinventada entre um episódio e outro e quando comparada com a versão original, é interessante notar que ela é colorida sempre com as cores do girassol.
O anime é sublime em alguns aspectos, o professor apresentado no livro viveu uma vida amarga de privações em função de seu passado, o do anime ainda é jovem e esperançoso, mas na fotografia final aparece com um olhar desanimado e desacreditado.
A mudança mais significativa é com certeza um episódio com o ponto de vista de K, como no livro apenas o professor conta a história, os pensamentos e personalidade de K também chegam até o leitor por seus olhos; O K do anime, que ganha ares de protagonista, condiz com o descrito no livro.
Ler Kokoro não só me trouxe curiosidade de ler outras obras de Natsume Souseki, mas também me fez gostar, ainda mais da adaptação de Aoi Bungaku e da série toda.
A série é inovadora, corajosa, e sutil; todos os recursos da animação foram muito bem explorados!
Vale, muito, ser assistida


domingo, 27 de março de 2011

Sobre Kimi ni Todoke - Primeira Temporada (anime)


Kimi ni Todoke (君に届け) - primeira temporada (2009)
Estou aguardando o lançamento do último episódio de Kimi ni Todoke - segunda temporada e encarando os mangás da edição em inglês nesse momento, por esse motivo resolvi escrever sobre a primeira fase da série.
Kimi ni todoke, o anime, é inspirado no mangá shoujo da mangaka Karuho Shiina publicados na Shueisha desde 2005.
Diferentemente de alguns reviews que eu li por ai, não comparo Kimi ni Todoke com Bokura ga Ita, isso por que para mim Bokura ga ita é chato, muito chato, do tipo de anime que, destaco novamente, do meu ponto de vista não traz nada de novo, enquanto Kimi ni Todoke tem sim um diferencial.
A primeira coisa que se nota é que é um anime de atmosfera própria, sim, é um mangá shoujo que está dentro da maioria dos padrões, mas a protagonista tem alguma coisa especial, e o traço e a qualidade da animação despertam a mesma sensação que os mangás/anime da Natsuki Takaya, Fruits Basket (フルーツバスケット). Não posso comparar os dois em muitas outras características que não essa, as histórias são absurdamente diferentes, e Fruits Basket é muito mais querido para mim, na verdade acho que não gostaria de ler algum outro review sobre KimiTodo que citasse Furuba, mas o farei...
Ainda que Kimi ni Todoke não vá entrar pra minha lista de favoritos eu acredito no potencial da série exatamente por levar em conta essa atmosfera que ele consegue carregar.
A protagonista é Sawako Kuronuma uma colegial altruísta, doce e inocente que tem problemas de comunicação. Por conta de sua aparência e completa falta de habilidade de socialização ela é apelidada ainda nova de Sadako, uma referência ao filme THE RING - O Chamado e uma série de lendas e boatos começam a surgir em torno dela, fazendo com que seus colegas de classe a mantenham excluída durante toda sua vida escolar. Daí o nome da série, Kimi ni Todoke - reaching you - algo como 'que alcance você'.
Eis que surge o mocinho, Kazehaya Shota, querido por todos na escola e sempre cercado de pessoas. Kazehaya tem, em oposição a protagonista, o dom da comunicação e consegue sempre ser fiel ao que pensa na hora de falar com os outros, nunca deixando mal entendidos.
Sawako cria uma expécie de admiração por Kazehaya assim que o conhece e o toma como exemplo a ser seguido, ele também se encanta por ela de prima, mas de maneiras diferentes, dessa vez o mocinho se apaixona primeiro.
Como já disse anteriormente o que mais me marca nessa série é a atmosfera 'gostosa' que ela tem. Comecei a assistir por causa dela, e agora com os mangás empilhados ao lado do computador, tenho vontade de começar logo a lê-los só por conta disso; Ainda que já conheça a história, ainda que nenhuma personagem ou situação tenha me marcado de forma grande.
Mas o que me faz gostar de Kimi ni Todoke e acreditar que ele é digno de destaque quando penso nos outros mangás da mesma linha não é apenas o traço bonitinho.
É comum que a protagonista seja uma pessoa 'normal' (na maioria das vezes, irritante, egoísta, com senso de justiça forte, ciúmenta, e fiel aos amigos) para que o público se identifique. Esse não é o caso de Sawako; Ao passo que enquanto a maioria dos pares romanticos são verdadeiros príncipes (educado, com leves ataques de cíumes em horas bem vindas, muita atitude e certeza de seus sentimento, algumas vezes com direito a briguinhas 'eu te odeio mas na verdade te amo'), Kazehaya é só um garoto normal, o primeiro a notar a protagonista como pessoa é verdade, mas ainda assim normal e também fica ansioso e tímido quando o assunto é romance.
Outro ponto importantíssimo; as amigas. Nada de amigas padrão e sem importância, ou meninas chatas e implicantes que na cabeça da maioria das autoras farão com que a leitora identifique seu mundo no mangá novamente. As primeiras amigas que Sawako faz são parte do sucesso da série, fiéis, engraçadas, divertidas e sempre dispostas a escutar o que a problemática garota tem a dizer. O amor que umas desenvolvem pelas outras é em certos momentos mais interessante do que o vivido pelo casal principal.
Se eu tentar puxar da mente outro mangá shoujo nessa linha com amigas marcantes só consigo pensar na Nobu Lovely Complex (ラブ★コン) e na dupla Arisa e Hanajima do já citado Fruits Basket.
Em Kimi ni Todoke não existem personagens que sejam essencialmente ruins, as pessoas e suas relações são incrivelmente idealizadas, esse é o intuito da série.
Mas o mais interessante é ver a anti-social protagonista crescer um pouco a cada dia, ficar mais confiante, conseguir se comunicar com clareza e finalmente deixar de ficar sozinha.
Eu não indico Kimi ni Todoke para ninguém que esteja buscando algo no estilo de Bokura Ga Ita, Hana Yori Dango, KouKou Debut, ou para aqueles que pensaram imediatamente na Sunako de Yamato Nadeshiko Shichi Henge e procuram uma coisa parecida, a decepção será certa já que a proposta é diferente, mas Kimi ni Todoke é apaixonante e tem feito a mim e meus amigos que gostamos desse tipo de história 'pure hearted' loucos. (Citei várias vezes Bokura ga ita para fazer contraponto com um review que li anteriormente, não tenho um problema com a série , só não gosto).
O mangá será lançado no Brasil pela Panini e deve custar R$9.90.
Abertura da primeira temporada
E aqui o trailer do filme que saiu ano passado e eu pretendo ver em breve.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sobre Aoi Bungaku (anime)

Aoi Bungaku 青い文学シリーズ (2009)
Aoi bungaku parte de uma idéia gênial do estúdio Madhouse, fazer a versão animada de seis contos clássicos da literatura japonesa.

Os contos selecionados foram:

-Ningen Shikkaku 'desqualificado como humano' de Osamu Danzai.

Diretor: Morio Asaka
Ilustrado por Takeshi Obata de Death Note.

Em quatro episódios conta-se a estória de Yozo Oba um rapaz por volta dos seus 20 anos que vive num Japão pré segunda guerra mundial e não consegue se adaptar a sociedade. Oba sofreu abusos na infância e cresce tentando agradar seu pai, quando se muda para a cidade em função da faculdade ele desenvolve um comportamento auto destrutivo, as coisas se complicam mais quando ele se envolve com uma mulher que propõe suicídio grupal e acaba morrendo sozinha. O rapaz não se identifica com nenhum dos significados de 'humano' que escuta durante a vida.

-Sakura no mori no mankai no shita ' Na floresta em baixo das cerejeiras' de Ango Sakaguchi


Diretor: Tetsuro Araki
Ilutrado por Tite Kubo de Bleach

Um ladrão vive na floresta com suas esposas e acredita que as cerejeiras possuem o poder de embreagar a mente humana. Certo dia conhece uma mulher bonita da cidade perto de uma dessas árvores e decide tomá-la como sua esposa, a mulher aceita mas ordena que ele mate todas as outras como prova de amor. A partir daí começa uma saga de loucura, sangue e fantasia. A adaptação animada brinca com a cultura pop atual mas se passa no século passado.

-Kokoro 'coração' de Natsume Souseki

Diretor: Shigeyuki Miya
Ilustrado por Takeshi Obata.

(Seria esse o livro que aparece no começo da abertura de Kimi Ni Todoke 2?)

Um jovem universitário chamado apenas de Sensei mora num pensão e se apaixona pela filha da senhoria, seu melhor amigo K um jovem recluso, passa a morar com eles e também se apaixona pela garota. Com o triangulo amoroso formado, eles terão que lidar com ciúmes, desconfiança, amizade entre outros levando a um final inesperado. O interessante é que o primeiro episódio mostra a visão do sensei e o segundo a visão do K, embora K nunca tenha contado seu lado da história no livro, esse contraponto tornou Kokoro um de meus contos favoritos da série.

-Hashire Melos! 'Corra Melos!' de Osamu Danzai

Diretor: Ryosuke Nakamura
Ilustrado por Takeshi Konomi de Prince of Tennis.

Hashire Melos! é uma história sobre amizade. Melos é condenado a morte por um tirano e pede para que sua sentença seja adiada para que ele possa comparecer ao casamento de sua irmã. O rei permite que ele vá impondo a condição de aprisionar seu melhor amigo Selinuntius em seu lugar e colocando o prazo de três dias para seu retorno, ou Selinuntius cumpriria sua pena; O anime adiciona uma bonita estória de fundo, também sobre amizade e traição, deixando a jornada de Melos como uma espécie de metáfora

-Kumo no Ito ' A teia da Aranha', Ryūnosuke Akutagawa

Diretor: Atsuko Ishizuka
Ilustrado por Tite Kubo.

Um assassino terrívelmente cruel cujo único ato de bondade foi não matar uma aranha, é condenado a morte e vai para o inferno. Uma sequência de animação bonta e psicodélica é usada para mostrar os horrores do inferno.

-Jigokuhen ' A tela do Inferno', de Ryūnosuke Akutagawa.

Diretor: Atsuko Ishizuka
Ilustrado por Tite Kubo.

O melhor pintor do reino é chamado para ilustrar o mausoléu do rei tirano. O Pintor decide se rebelar e pintar todo tipo de atrocidade que o rei comete contra seu povo, mas sua rebeldia tem consequências graves que o levam a loucura. Ao que parece essa história também sofreu mudanças consideráveis.


Como meus conhecimentos sobre literatura japonesa são o mais próximo do nulo, não consigo comentar sobre as adaptações das histórias e sobre até onde as mudanças feitas foram válidas, mas como fã de anime afirmo que é incrível. São seis contos escritos por pessoas diferentes, em épocas diferentes, para públicos diferentes, e o anime tem esse caráter, Aoi Bungaku não parece uma peça só, cada história tem atmosfera própria, são diretores de peso com estilos muito únicos dando o melhor de si, juntamente com um design de personagens feito por artistas de renome.
As histórias são sensíveis e as personagens possuem uma profundidade gigantesca, nada menos do que o esperado...

O anime é tão bom que despertou em mim uma vontade imensa de ler os contos, especialmente os três primeiros que são meus favoritos, vou dar uma procurada na biblioteca mais próxima ainda essa semana ou assim que possível.

Outras adaptações em que planejo dar uma olhada são as pra cinema, 'Ningen Shikkaku' de 2010 estrelado pelo Toma Ikuta, 'Sakura no mori no mankai no shita' 1975 dirigido por Shinoda Masahiro e 'Kokoro' 1973 de Kaneto Shindo.

Concluindo, esse anime é genial e vale (muito) ser assistido.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sobre Hourou Musuko (anime)


Sobre os primeiros episódios de Hourou Musuko (2011)

Comecei a assistir Hourou Musuko (放浪息子) recentemente.

Baseado no mangá seinen de Takako Shimura, Hourou Musuko tem atraído olhares por causa do enredo inovador que trata de assuntos como amadurecimento, puberdade, transexualidade e identificação com o próprio gênero.

O primeiro episódio questiona “Do que são feitas as meninas?” e conta a história de Nitori Shuichi um aluno que acaba de entrar na quinta série na nova escola.

Nitori é um garoto pequeno e tímido que em segredo se veste como garota, ainda na quarta série ele se apaixona por Yoshino Takatsuki uma garota que gostaria de se tornar um garoto.

Aparentemente o anime começa depois do mangá, por isso o passado das personagens, que já se conheciam antes, e o tipo de relação que mantém é gradualmente revelada não comprometendo o entendimento da história.

As outas personagens da trama também recebem atenção da autora e são tão delicadas quanto os protagonistas, ainda que até agora não tenham recebido um grande foco.

As crianças tem de lidar com o estresse e as dúvidas da puberdade e da idade em que se encontram e os dois protagonistas com o agravante de não se identificarem com seu próprio corpo.

Hourou Musuko tem uma animação muito suave e delicada com a pintura em aquarela e coloração na maior parte em tons pastéis carregando uma atmosfera frágil e nostálgica.

A série usa de forma lúdica e doce para tratar falar sobre a difícil fase de descobrir a si mesmo e a pessoa que você pretende se tornar.

O anime começou a ser exibido dia 14 de Janeiro no bloco da TV Fuji NoitaminA (que já exibiu muita coisa boa devo colocar) toda sexta feira e está em seu quinto episódio.

Recomendadíssimo.

Preview Hourou Musuko


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sobre Kuragehime (anime)


Kuragehime 海月姫 (2010) foi uma das melhores surpresas do ano, aliás numa época em que poucos animes tem sido realmente bons ele merece destaque.
Baseado no mangá josei de Akiko Higashimura, ainda em lançamento, Kuragehime não tem exatamente o enredo mais original possível.
Conta a história de Tsukimi, uma garota que nutre uma verdadeira obsessão por Águas vivas desde pequena, e que aos dezoito anos vai para Tokyo afim de tornar-se uma ilustradora e começa a morar com cinco garotas numa pensão. Todas as moradoras da casa (com exceção de uma mangaká que nunca é mostrada e 'não vê a luz do dia') são exemplos do estilo de vida NEET, e vivem afastadas do resto da população. As meninas se auto denominam AMARS – freiras- e possuem condições rígidas sobre o tipo de pessoa com quem convivem mantendo um bloqueio forte contra 'hipsters' e homens especialmente.

A rotina delas começa a mudar quando Tsukimi conhece Kuranosuke, um garoto muito bonito, filho bastardo de um político famoso e que se veste como garota para afastar-se de suas obrigações políticas e aproximar-se de sua mãe desaparecida.

Ainda que as personagens não sejam muito complexas ou profundas elas funcionam bem e possuem charme fazendo o espectador se encantar e querer acompanhar suas histórias. Tsukimi, Kuranosuke e Shuu, o irmão mais velho, são apaixonantes.

Em meio a toda comédia uma porção de hábitos da nova sociedade japonesa são apontados, mas de forma alguma criticados ou debatidos e sim vistos com naturalidade, como exemplos as companheiras de Tsukimi que estão na maioria na casa dos 30 e vivem com o dinheiro dos pais, o hábito de se travestir, o consumismo exacerbado, a cultura otaku, a ditadura da beleza, fobias sociais, hipocrisia na política entre outros.

O anime foi dirigido por Takahiro Omori que dirigiu “Baccano!” e “Durarara!!” e teve 11 episódios exibidos entre 15 de Outubro de 2010 e 30 de dezembro.

A qualidade da animação é impecável e as personagens tem um design muito próprio e realista.

Kuragehime é o tipo de série pela qual o espectador vai se apaixonar de cara, para ser mais exata no momento da abertura, cheia de referências a clássicos do cinema como Star Wars, Mary Poppins, Cantando na chuva, Kill Bill, James Bond, Contatos Imediatos de Terceiro Grau entre outros; Vale citar também a cena ótima, durante o primeiro episódio, onde Tsukimi encontra Clara, sua água viva de estimação e mascote da série, e há uma referência aberta a obra prima Heidi da escritora suiça Johanna Spyri, que também já teve sua versão animada.

O grande problema da série, e sério problema, é que onze episódios só cobriram uma parte de um mangá ainda não terminado deixando muita coisa importante em aberto e fazendo com que a série não honre o potencial que tem.

Com o sucesso do mangá no Japão, que tem recebido muitas críticas positivas e prêmios, sou do time que aguarda ansiosamente o anuncio de uma segunda temporada.


Abertura de Kuragehime. (Vale a pena conferir)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre Kuroshitsuji (anime)



Kuroshitsuji (黒執事) de Yana Toboso

Conheci essa série na mesma época que a maioria das pessoas, com o sucesso do anime.
A primeira coisa que chamou a minha atenção foi o traço, a ambientação (Londres na época vitoriana) e as várias imagens maravilhosasde fanservice. O Mangá que começou a ser publicado em 2006, conta a estória de um conde de 12 anos, Ciel Phantomhive que promete sua alma ao demonio Sebastian Michelis com a intenção de limpar o nome de sua família e vingar a morte de seus pais. Sebastian então ocupa a posição de mordomo do casarão realizando qualquer ordem de seu mestre com extrema perfeição.
Os dois protagonistas são muito cativantes e representantes perfeitos dos clichés shonen ai, sem ficar forçado, ao contrário, cumprindo seu papel de dividir os espectadores em admiradores do Sebastian e admiradores do Ciel.
O problema da série é que ela não faz jus ao seu potencial incial, o primeiro episódios, que serve para apresentar as personagens, faz questão de mostrar o quão perfeito é o mordomo em qualquer tipo de tarefa, e pra isso usa cenas de ação e aventura típicas de um mangá shonen leve que ele é (publicado na Shonen Gangan mensal). Com o continuar dos episódios o anime acaba se perdendo, apesar da ambientação e atmosfera de série dramática ele está mais para comédia, mas também não pode se encaixar no gênero. O visual e apelo shonen ai afasta um pouco o público alvo, os meninos leitores de shonen, enquanto a história bagunçada e a superficialidade das personagens faz com que alguns fans de yaoi não levem o anime tão a sério.
O grade mistério da morte dos pais de Ciel ficou muito mal explicado e não existe claramente uma saga principal, embora apontem sempre para um mesmo 'vilão'. Algumas das histórias ficaram em aberto, espero que seja uma falha da adaptação e que o mangá seja melhor.
Fui assistir esperando algo do nível de Count Cain/God Child (伯爵カインシリーズ) da Kaori yuki ou Yami no Matsuei (闇の末裔)de Yoko Matsushita, mas ainda que mais parecido com esse, um anime 'falho' também quando comparado ao mangá, Kuroshitsuji ainda entra em desvantagem por ter coadjuvantes chatos e facilmente esquecidos, enquanto o anime de Yami no Matsuei traz um leque de personagens divertidos e a certeza de ser uma adaptação malfeita de um mangá muito melhor e mais completo.
A mistura de idéias, que para mim se transformou numa verdadeira bagunça, se mostrou eficiente por outro lado, já que Kuroshitsuji é um dos animes e mangás de maior sucesso dos últimos anos, com direito a uma segunda temporada, uma porção de fãs devotos, cosplays maravilhosos, jogo para DS, e o que mais vier. O anime para meninos com cara de anime de meninas acabou atraindo os dois tipos de público e está em voga entre os garotos e garotas de todas as idades.
Embora eu tenha me divertido assistindo a primeira temporada, especialmente com as cenas do Ciel tentando se arrumar sem a ajuda do mordomo, não me animei a assistir a segunda.