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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre Sakamichi no Apollon (anime)


Assisti ao primeiro episódio de Sakamichi no Apollon (坂道のアポロン)agora.
A série começou a sair ontem e eu já posso me considerar apaixonada, com toda certeza vou ver até o final.
Baseado no mangá de Yuki Kodama, que eu não li, Sakamichi no Apollon se passa na década de 60 e conta a história de Kaoru Nishimi um garoto que acaba de se mudar pra Kyushu, para morar com sua tia, durante o primeiro ano colegial.
Kaoru é apresentado a turma como um garoto da cidade grande que costumava ser o primeiro da classe na sua escola anterior. O menino passou a vida toda mudando de escola e sofreu bullying na maioria delas, por isso ele tem algumas fobias e não socializa com facilidade, seu pai costumava viajar a trabalho e sua mãe parece tê-lo abandonado, o menino se sente imensamente solitário na nova cidade.
Nesse contexto Kaoru conhece Sentaro e Ritsuko, amigos de infância, ela a típica menina boazinha e prestativa, e ele o yankee da classe; instantaneamente rola uma identificação entre eles, especialmente entre os meninos, mas em função das personalidades opostas eles não se aproximam.
Kaoru aprendeu a tocar piano erudito para ficar mais próximo do pai distante, Sentaro é um baterista apaixonado por Jazz enquanto Ritsuko é filha do dono da loja de discos da cidade; Quando a menina convida o protagonista para conhecer a loja do pai, ele se vê encantado pela bateria do colega, que tocava no porão da loja, e decide se aproximar do Jazz. Fica aí a premissa de que essa amizade ainda vai se desenvolver em função da música.

Sakamichi no Apollon é o trabalho mais recente do diretor Shinichiro Watanabe, conhecido por nada menos que Cowboy Bebop e Samurai Champloo, a qualidade da animação é incrível!! (E eu não fui vê-lo no Animamundi 2011)
A trilha ficou por conta da Yoko Kanno que compôs para Ghost in the Shell, Cowboy Bebop, Wolf's Rain entre outros; além da presença de peças eruditas para piano (Kaoru já começa tocando Clair de Lune do Debussy, espero ver mais peças conhecidas ao longo do anime) e famosas músicas de jazz (Art Blakey and the Jazz Messenger's com Moanin' no primeiro episódio).
Se o anime mantiver a mesma qualidade do primeiro episódio ele com certeza valerá a pena, a ambientação sessentista, a música como forma de unir os jovens, a atmosfera nostálgica e jovial são características presentes nesse episódio e espero, mesmo que se estendam até o último episódio!

PS:Estou muito ansiosa pra ver pra onde essa história vai nos levar! Fazia um certo tempo que eu não sentia essa inquietação com um um anime. E é legal ver mais um anime sobre artes no NoitaminA, principalmente pros órfãos de Nodame Cantabile
PS2:A abertura é uma canção da YUKI que fez as aberturas de Honey and Clover, meu anime favorito, e ainda que a voz dela seja incrivelmente aguda eu tenho um link afetivo grande com essa vozinha irritante.
PS3: A história se passa numa cidade do interior de Kyushu, onde o dialeto é um pouco diferente do de Tokyo, o tradutor se esforçou pra tentar adaptar as expressões na legenda. Eu achei isso estranhamente divertido. - assisti em Inglês, não sei se alguém vai fazer o mesmo trabalho em português



Atualização: A minha amiga musicista PattyK também fez uma postagem sobre o anime. Vale a pena dar uma olhada no blog dela.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sobre Yojōhan Shinwa Taikei - Tatami Galaxy


Quando você pensa na própria vida como você se sente? Se pudesse mudaria alguma escolha feita?
Mudaria as pessoas a sua volta? Mudaria a pessoa que você é?
Yojōhan Shinwa Taikei (四畳半神話大系) literalmente as crônicas de quatro tatamis e meio ou Tatami Galaxy, conta a história de um protagonista anônimo estudante da universidade de Kyoto que ao ingressar na universidade tinha como objetivo alcançar a sua “campus life cor-de-rosa”, cercado de amigos e ao lado da donzela dos cabelos pretos, e que, em função desse objetivo foi fazendo suas escolhas a começar pelo clube que entraria na faculdade.
Mas como a vida dificilmente sai como esperado, o protagonista não consegue a ansiada namorada, não tem nenhum talento que se sobressaia e faz amigos peculiares; entre eles está Ozu, o rapaz pelo qual ele culpa toda a sua desgraça.
Obcecado em tornar a vida cor-de-rosa uma realidade o protagonista acaba não dando valor a sua própria realidade e destruindo tudo o que conquistou, em um dia qualquer o estudante escuta de uma vidente que a chance de sua vida está na sua frente, mas que ele está tomando o caminho errado. “Se eu tivesse feito diferente? E se eu tivesse entrado em outro clube quando era calouro? Se eu pudesse voltar o que eu faria?”
O anime entra em um loop no tempo e nos mostra uma realidade paralela do protagonista onde a partir da entrada na universidade suas escolhas são totalmente diferentes das iniciais e, ainda visando à vida cor-de-rosa no campus ele consegue mais uma vez estragar tudo.
Os episódios seguem essa fórmula, caminhos diferentes, clubes diferentes, escolhas diferentes, mas sempre o mesmo protagonista e sempre as mesmas pessoas em sua vida; As variantes desses caminhos mostram faces distintas das pessoas que o cercam e até mesmo do protagonista que é moldado de acordo com a sua posição, colocando em cheque a ideia de que as pessoas são "o que são",e mostrando como as personagens (cuja personalidade, objetivos, e história não mudam) são aquilo que os olhos da primeira pessoa conseguem ver.
Como a maioria dos animes do gênero Slice-of-life, este também aflora muito o sentimento de nostalgia e faz com que você se identifique.
Baseado num Novel de Tomihiko Morimi que foi lançado apenas na Ásia (infelizmente porque se tivesse uma tradução para inglês eu estaria lendo.) o anime foi dirigido por Masaaki Yuasa, animado pelo primoroso estúdio Madhouse e exibido no bloco NoitaminA.
A animação é incrível, é uma série de encher os olhos, enquanto as personagens são feitas em um elegante 2D, sem muitos traçados, detalhes ou coloração complexa, grande parte dos cenários é construída sob texturas caleidoscópicas maravilhosas, além de técnicas como colagens, fotografias, e algumas cenas em Live action (na maioria de ambientes) que contribuem na construção das atmosferas.
A história é muito boa, pertinente e rica em referências históricas, geográficas e culturais, o que faz com que muita coisa seja perdida na primeira vez em que é assistido; Aliás toda obra que lida com universos paralelos ou viagens no tempo costuma fazer com que o espectador perca muita informação.
Fica-se uma ressalva, a narrativa é muito rápida, especialmente no primeiro episódio onde é praticamente impossível acompanhar alguma coisa, mas isso deve ter sido percebido e corrigido porque os próximos episódios se tornaram muito mais fáceis de assistir.
Indicadíssimo pra todos, Tatami Galaxy é divertido, traz uma abordagem nova a um tema que é pertinente. Quem nunca se perguntou o que seria da vida se as escolhas tivessem sido diferentes? Quem nunca desejou poder recomeçar? Quem nunca sentiu que não tinha tudo que queria? O que você faria se pudesse ver todos os outros ‘você’ que existem por aí?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sobre Hourou Musuko (anime)

Sobre Hourou Musuko - 2011 (放浪息子)
Eu havia feito um outro post sobre as minhas primeiras impressões da série, mas agora que terminei de assistir posso falar com um pouco mais de propriedade sobre o que esperar desse anime.
Como tinha dito, o anime baseado no mangá de Takako Shimura trata sobre puberdade e as mudanças psicológicas que ela acarreta.
O protagonista Nitori gostaria de ter nascido uma menina e gosta de se travestir para se sentir uma. Nitori não se identifica com seu gênero e sofre durante a puberdade, por ser incapaz de impedir seu próprio corpo de transformá-lo em um homem. Sua voz está mudando, seus hormônios à flor da pele, suas mãos estão ficando grandes etc...
O anime não trata abertamente sobre homossexualidade, como muitos podem pensar de prima, e embora exista um personagem gay, o melhor amigo de Nitori, Makoto, a sua vida passa muito longe de ser o centro da história.
(Indo mais além, eles revelam sua homossexualidade de maneira tão sublime que acredito que nem todos os espectadores tenham percebido, - já que realmente não é relevante pra vida do protagonista - mas está lá).
Óbvio, como não poderia deixar de ser, o anime faz com que as personagens sofram nas mãos da 'sociedade' por conta do hobby incomum que carregam, afinal o que poderia ser mais natural do que crescer e se tornar adulto?
O que mais me chama a atenção em Hourou musuko é que um tema como esse, não costuma ser tratado de maneira tão delicada; O traço da autora, a coloração, a animação, a trilha sonora... tudo é muito suave e contrastante com o estado emocional das personagens.
E como tudo nesse anime é sutil e sublime, o envelhecimento, a passagem de tempo e o amadurecimento das personagens não poderia fugir a regra, no último episódio encontramos um Nitori e uma Takatsuki quase adultos, mais seguros e fortes.
O anime faz você ter orgulho e de como como eles cresceram e estão se encaminhando para a vida adulta, como eu disse no post anterior "A série usa de forma lúdica e doce para falar sobre a difícil fase de descobrir a si mesmo e a pessoa que você pretende se tornar."
Hourou Musuko, definitivamente, não é para qualquer público, primeiro por tratar de um tema delicado e 'cutucar' certos conceitos da sociedade, depois porque toda a leveza com que os assuntos são encarados e personagens muito próximas da realidade, sem frases de efeito, sem 'moe', ou características do gênero, enfrentam dificuldade em prender a atenção de qualquer um.
Mas pra aqueles com sensibilidade aguçada e fans de boa animação, está indicadíssimo.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sobre Hourou Musuko (anime)


Sobre os primeiros episódios de Hourou Musuko (2011)

Comecei a assistir Hourou Musuko (放浪息子) recentemente.

Baseado no mangá seinen de Takako Shimura, Hourou Musuko tem atraído olhares por causa do enredo inovador que trata de assuntos como amadurecimento, puberdade, transexualidade e identificação com o próprio gênero.

O primeiro episódio questiona “Do que são feitas as meninas?” e conta a história de Nitori Shuichi um aluno que acaba de entrar na quinta série na nova escola.

Nitori é um garoto pequeno e tímido que em segredo se veste como garota, ainda na quarta série ele se apaixona por Yoshino Takatsuki uma garota que gostaria de se tornar um garoto.

Aparentemente o anime começa depois do mangá, por isso o passado das personagens, que já se conheciam antes, e o tipo de relação que mantém é gradualmente revelada não comprometendo o entendimento da história.

As outas personagens da trama também recebem atenção da autora e são tão delicadas quanto os protagonistas, ainda que até agora não tenham recebido um grande foco.

As crianças tem de lidar com o estresse e as dúvidas da puberdade e da idade em que se encontram e os dois protagonistas com o agravante de não se identificarem com seu próprio corpo.

Hourou Musuko tem uma animação muito suave e delicada com a pintura em aquarela e coloração na maior parte em tons pastéis carregando uma atmosfera frágil e nostálgica.

A série usa de forma lúdica e doce para tratar falar sobre a difícil fase de descobrir a si mesmo e a pessoa que você pretende se tornar.

O anime começou a ser exibido dia 14 de Janeiro no bloco da TV Fuji NoitaminA (que já exibiu muita coisa boa devo colocar) toda sexta feira e está em seu quinto episódio.

Recomendadíssimo.

Preview Hourou Musuko